01 de setembro de 2011
Dia 1 – Triste despertar
Olá a todos, meu nome é Alexsandro Leão, tenho 25 anos, sou pai de 2 filhos, solteiro atualmente, moro com meus pais e estou cursando o 10º período do curso de Psicologia, moro em Recife-PE, ontem recebi uma triste notícia, a empresa em que trabalhava estava em um loooooooooongo período de dificuldades financeiras, estava trabalhando nela por 5 meses na área de RH criando ferramentas de gestão para controlar gastos, pensando em projetos e organizando o setor. Sai de uma empresa que eu simplesmente amava, passei 03 anos e meio nela como Gerente de Rh e Nela obtive muitas experiências em gestão de pessoas, o que motivou a gestora desta empresa com dificuldades a me contratar, porém quando cheguei a empresa já estava no fundo do poço e não tive muito o que fazer. Foi quando recebi a notícia que a empresa numa tentativa de cortar custos fez diversos cortes no orçamento, e eu fiz parte deste corte.
A primeira grande dificuldade após receber a notícia exatamente as 18:00 no horário de Brasília foi: Como vou contar isso a minha família? Primeiro procurei minha antiga companheira, mãe dos meus dois filhos, contei a notícia com a maior cara de confiança que eu conseguia fazer, dizendo que acreditaria que não demoraria para arrumar outro emprego já que na minha cidade o cenário atual para minha área anda positivo, porém estou em uma séria enrascada, o mercado procura profissionais qualificados, o que sou, pois ainda não conclui a faculdade porém tenho mais de 5 anos na área, conheço os procedimentos e as rotinas do setor, sei liderar equipes e acima de tudo, amo o que faço. Porém não sou formado, e isso já me exclui de várias entrevistas de seleção, o que me preocupa em não conseguir arrumar outro emprego a tempo de ficar desesperado, já que tenho dois filhos, faculdade e uma série de outras dívidas adquiridas no período em que estive nessa ultima empresa.
A notícia foi recebida por ela com choque, porém (talvez tenha feito a mesma tentativa que fiz ao criar confiança) ela fez a maior cara de compreensão, dizendo que acreditava que eu não teria dificuldades em arrumar outro emprego, xingou a empresa em que eu trabalhava mais reagiu de maneira positiva. Alívio penso eu, porém sei que ela está aflita mas fez o possível para não me desesperar.
Pronto, a pior tarefa já tinha sido metade concluída, faltava agora avisar aos meus pais. Meu pai está desempregado a 3 anos, trabalhou por 29 anos em uma agencia bancária, começando a trabalhar aos 17 anos, começando do menor cargo e subindo ao longo dos anos até chegar ao cargo de gerente administrativo, que foi seu ultimo cargo na empresa em que trabalhava. Ao ficar desempregado, tentou trabalho no mercado, mas devido a sua idade e ao seu conhecimento específico deste único tipo de atividade não foi bem quisto, então com o dinheiro da indenização que recebeu resolveu seguir seu sonho, entrou em uma faculdade de Gastronomia e começou um negócio próprio, uma lanchonete pequena porém que consegue (com muita dificuldade e trabalho) manter a família. Apesar do enorme esforço e quantidade de trabalho, consigo ver no olhar dele um brilho característico de quem esta fazendo algo que realmente gosta de fazer, por isso eu estou feliz por ele, e pensei seriamente em retomar a um plano antigo que comecei com um amigo de faculdade de abrir uma consultoria em gestão de pessoas, tenho bastante experiência e ele também, o mercado está favorável e acho que trabalhar pra si é sempre o melhor negócio, principalmente quando se trabalha no que se gosta de fazer.
Vamos retornar então a minha difícil tarefa, já que meu pai conhece de perto o desemprego e o que é sustentar uma família com o suor do rosto e do próprio trabalho, porém dos outros dois irmãos que tenho eu e minha irmã trabalhamos, quer dizer, atualmente só ela trabalha, faz faculdade e não pode ajudar em casa, eu por ter dois filhos e nunca estar em casa também não podia ajudar muito, mas mesmo assim ele levou todos nós, porém agora eu não vou ter condições sequer de me sustentar, tenho o dinheiro da minha faculdade, que concluirei em 4 meses, ou seja não estou extremamente preocupado por isto, porém minhas dívidas do dia-a-dia acredito que só vou conseguir manter por dois meses, e sei que ter um filho desempregado em casa é mais um peso nas suas costas, por isso pra mim a segunda desta minha primeira tarefa era tão delicada e complicada quanto a primeira, porém não tive coragem de contá-los no mesmo dia a noite, deixei para contá-lo neste meu triste despertar, pois saberia que aplicaria mais peso nas costas do meu pai que tanto peso carrega neste últimos 03 anos,. Na verdade não criei coragem para contá-lo, contei a minha mãe e deixei que ela se encarregasse desta tarefa.
Então encontro-me eu, neste meu primeiro dia de desempregado, meio desnorteado, me sentindo como um elemento fora do conjunto, então comecei a realizar a única atividade que me faz ficar um pouco aliviado, organizar alguma coisa. Comecei arrumando minhas coisas, guarda-roupas, depois o quarto, depois a casa, depois os pratos, almoço, etc. Acho que é uma maneira de eu organizar os meus pensamentos, e nesta empreitada tive a idéias de criar este blog. Estava (após concluir meus serviços) comunicando meus amigos e colegas de faculdade, olhando sites de empregos e afins para poder tentar alguma coisa, recebi a solidariedade deles, as mensagens de apoio e comecei a navegar em busca do meu novo emprego, e por extrema falta do que fazer e angustiado com minha situação atual resolvi fazer este blog para que todos em mesma situação possam compartilhar um pouco de suas experiências comigo, já que sei que não sou o único desempregado na face da terra, e por pura coincidência, ao chegar em casa e ao procurar um dos meus melhores amigos, chegou outro amigo nosso dizendo a mesma situação, ele foi demitido pois a empresa dele estava falindo, então percebi que no mesmo dia de ontem, não sé eu, mas diversos outros foram demitidos, inclusive meus colegas de empresa, por isso espero escrever esse diário todos os dias em que estiver desempregado, e não é por vontade de não dividir minhas experiências com vocês, mas pretendo que esse diário seja curto.